Sara Baggio, 52 anos, é casada com o empresário José Américo Baggio e reside em Curitiba há 34 anos, cidade que escolheu para estudar, trabalhar e construir sua vida. Nascida em Telêmaco Borba, filha de Josias e Julieta de Oliveira, tem um irmão advogado Dr. Eliezer Domingues com quem compartilha o orgulho de pertencer a uma família unida e dedicada.
Com uma trajetória marcada por determinação, Sara chegou a Curitiba aos 17 anos disposta a construir seu futuro. Nos primeiros anos atuou como auxiliar de dentista, mas sua veia comunicativa logo a levou ao rádio. Foi locutora em emissoras como Rádio Gospel, Rádio Eldorado AM e Massa FM, onde apresentou programas ao lado de Ratinho Filho. Também conquistou espaço na televisão, apresentando o programa TV Mania na RIC e participando de campanhas publicitárias de grandes nomes como Roberto Hinça e Barrichello.
Mãe de Vitor Gabriel de Oliveira Viana, que reside na Califórnia, e também madrasta dedicada de João Paulo Baggio e Pedro Baggio. Apaixonada por viagens, transforma cada experiência em aprendizado e inspiração. Seu hobby preferido revela o desejo de conhecer o mundo, explorar novas culturas e colecionar memórias que enriquecem sua vida pessoal e profissional.
Mais do que conquistas profissionais, Sara Baggio é uma mulher que valoriza o propósito e o impacto positivo na vida das pessoas, unindo elegância, paixão e generosidade em cada passo que dá.
Como nasceu o voluntariado no coração de uma criança.
Ela tinha apenas 8 anos quando começou a visitar orfanatos e asilos com a mãe. Hoje, continua levando esperança e transformando vidas com a mesma paixão da infância.
Desde os primeiros anos de vida, ela já carregava algo raro: a vontade genuína de ajudar. Aos 8 anos, enquanto outras crianças brincavam nas ruas de Telêmaco Borba, no Paraná, ela acompanhava a mãe em visitas a lares de idosos, asilos e orfanatos. Nossa protagonista, Sara Baggio, preparava pacotinhos de doces, distribuía carinho e levava alegria para quem mais precisava.
“Minha mãe sempre foi meu exemplo”, lembra. “Ela contava histórias, mostrava slides, envolvia os idosos com atenção e afeto. Eu aprendia observando.” Foi assim que se construiu uma memória afetiva poderosa, cheia de rostos, cheiros e cenas que atravessaram décadas.
Sara nos conta que uma dessas lembranças tem nome: Dona Rosa. Baixinha, de bochechas rosadas, Dona Rosa tinha um hábito curioso: guardava ossinhos de frango — o famoso “jogador” — em potes de vidro. Sempre sorridente, ela puxava uma ponta do ossinho e deixava a outra para a menina puxar. “Quando ela ganhava, gritava e batia palmas. Era a alegria dela”, conta, emocionada.
Para aquela criança, estar ali sorridente não era um sacrifício, mas um encontro com a humanidade. “Muitos idosos não conseguiam sair das camas, então íamos aos quartos levar histórias, companhia e escuta. Isso me marcou profundamente.”
Com o tempo, a vocação virou rotina. Na adolescência, ela e uma amiga dormiam na casa de Dona Sinhana, uma viúva muito conhecida na cidade. “A gente fazia companhia, dormia na cama dela, ajudava nas tarefas. Era natural para nós.” Entre o cheiro do café feito no fogão a lenha e o pão caseiro, crescia a certeza de que fazer o bem era parte da própria identidade.
Hoje, décadas depois, ela reconhece: “O voluntariado corre nas minhas veias. Minha mãe plantou em mim a semente do cuidado, e eu continuo cultivando. Servir ao próximo não é obrigação, é um prazer e uma forma de viver.”
Essa história mostra que solidariedade não nasce do nada, ela é aprendida, pra- ticada e perpetuada. E quando começa na infância, torna-se mais do que um ato: torna-se essência.
Minha Vida, Meu Propósito
A trajetória de Sara sempre esteve ligada à comunicação e à educação. É formada em Jornalismo e História, com formação pedagógica para o ensino superior e atuou por cerca de 15 anos na área da educação, coordenação e orientação.
Há cerca de 12 anos, decidiu encerrar esse ciclo profissional e trilhar um novo caminho em sua vida: dedicar-se a ajudar ao próximo.
Começou sua jornada como voluntária no Hospital Erasto Gaertner, inicialmente no setor de marketing e administrativo, mas logo percebeu que seu desejo era estar junto das pessoas, dos pacientes, olhar nos olhos e fazer a diferença de forma direta. Foi assim que se tornou coordenadora do Espaço Família e, depois, do Centro de Diagnóstico por Imagem (CDI), liderando dezenas de voluntários e criando espaços de acolhimento e cuidado.
Quando a pandemia a afastou do hospital, ingressou no projeto Mãos que Valen, um trabalho filantrópico de ajuda humanitária que começou com a distribuição de jantinhas e marmitas em comunidades carentes. Com o tempo, o projeto cresceu, ganhou sede própria e também ações complementares, como um bazar para arrecadação de fundos. Hoje, o Mãos que Valen auxilia mais de 3 mil crianças por mês, muitas delas com doenças raras ou condições que o SUS não consegue suprir, além de apoiar famílias em situação de vulnerabilidade.
Também é voluntária no Comitê Mulher-Sicredi, um espaço dedicado a incentivar e apoiar mulheres empreendedoras, criando oportunidades de aprendizado, negócios, integração e empoderamento.
Outro lugar que ocupa grande parte do seu coração é o residencial de idosos Versânia, uma casa diferenciada onde cada morador tem seu quarto individual, como em um hotel. Lá, os residentes participam de atividades de recração, aulas de artesanato e culinária, fisioterapia, musicoterapia e momentos de lazer. Nesse espaço, ela coordena o voluntariado, organiza atividades e acompanha o bem-estar de cada residente, levando muita alegria, acolhimento e atenção a todos.
Além disso, atua na Casa de Repouso Humanizar, que acolhe cerca de 30 hóspedes com diferentes graus de dificuldade e carência, encaminhados pelas prefeituras do estado do Paraná. Sua atuação inclui atividades humanizadas, acompanhamento das necessidades e ações especiais em datas comemorativas, sempre buscando tornar o dia a dia mais acolhedor e digno.
Sua rotina é intensa: às segundas-feiras, dedica-se ao projeto Mãos que Valen; às terças, ao lar psiquiátrico; às quartas, ao residencial de idosos, onde conduz atividades e ensina outros voluntários. O trabalho é árduo, mas ela se sente recarregada. “Ver a felicidade e a gratidão das pessoas é minha maior recompensa.”
Ela acredita que Deus a utiliza como um canal para boas ações e almeja, cada vez mais, inspirar outras pessoas a fazerem o bem. Essa inspiração foi reconhecida pela associação internacional Versânia, que criou um prêmio de voluntariado inspirado em sua forma de agir. Hoje, ela participa da entrega desses certificados e incentiva novas pessoas a viverem essa experiência transformadora.
“Para mim, viver o voluntariado é viver uma vida com propósito. É servir sem esperar retorno, mas sentir a energia positiva que flui em cada gesto, em cada rosto. É perceber que cada pequena ação pode gerar um impacto grandioso na vida de alguém. E é através desse serviço que encontro minha realização, minha felicidade e minha verdadeira missão.”
Viver fazendo o bem é uma escolha. Uma escolha que, para ela, representa a essência da vida.
SARA PELO MUNDO: QUANDO SOLIDARIEDADE ENCONTRA GLAMOUR
Se a Amazônia mostrou o Brasil profundo, o Equador, Uruguai e o Paraguai revelaram uma outra face da América Latina: comunidades isoladas, cheias de histórias, desafios e carências. Dessa vez, Sara não foi de barco, mas sim de ônibus, longas horas de estrada até chegar ao destino. O glamour, aqui, vinha da coragem de enfrentar quilômetros intermináveis com a certeza de que cada minuto valeria a pena.
As ações se concentraram em praças públicas transformadas em grandes centros de cidadania. Ali, Sara e sua equipe montaram feiras de saúde, de educação e bem-estar. Era possível aferir a pressão, aprender sobre nutrição, receber dicas de cuidados pessoais e até participar de palestras educativas.
Mas nem tudo se resumia a atividades coletivas. Em Young, no Uruguai, Sara viveu uma das experiências mais impactantes da sua jornada. Uma senhora viúva, isolada, cercada por mais de dez gatos, foi encontrada em condições desumanas. “Quando bati no portão e a chamei, ela chorava de fome e de solidão. Ao entrar, vi uma cena que parecia saída de um pesadelo: pratos sujos, panelas vazias e muitos móveis destruídos. A casa estava tomada por sujeira e miséria. Nem animais deveriam viver assim”, relembra Sara, emocionada.
Diante daquela realidade, ela não pensou duas vezes. Mobilizou a equipe, arregaçou as mangas e passou dias limpando, reorganizando e cuidando daquela mulher. Foi uma prova viva de que solidariedade é mais do que doação: é ação, dedicação, entrega.
No Paraguai, o cenário foi semelhante: comunidades esquecidas, pessoas ávidas por atenção e informação, crianças curiosas que viam nas brincadeiras uma chance de aprender e sonhar. Mais uma vez, Sara se destacou não apenas pela organização e pela liderança, mas pela forma glamurosa e humana de se aproximar de cada indivíduo.
Se cada missão já foi um marco, a expectativa de ir para a África era ainda maior. Nesse misterioso destino Sara se preparou com o coração para essa experiência transformadora. O foco foi trabalhar com crianças de 6 a 12 anos e também com seus pais.
Brincadeiras, teatro, jogos cognitivos e atividades educativas preencheram os dias das crianças, mostrando que aprender pode ser tão divertido quanto brincar. Já os pais receberam orientações sobre higiene, valorização pessoal e saúde preventiva. E como a missão aconteceu em Outubro Rosa, o cuidado feminino ganhou um destaque especial: orientações sobre autoexame e prevenção do câncer de mama.
Tiveram também desafios gigantes. Em muitas dessas comunidades, o HIV ainda é uma das principais causas de mortalidade. Por isso, a missão teve também um caráter educativo, com foco em autocuidado e empoderamento.
Sara voltou com a alma em festa. Aquela sensação maravilhosa do dever cumprido, tendo na memória cada sorriso infantil, cada olhar de esperança e cada abraço sincero que fizeram valer todo o esforço.